Exposição talentos na vitrina
Projeto que visa valorizar os artistas plásticos brasileiros contempla a obra de Caio Borges.
A perfeita harmonia entre formas, cores e texturas, que o artista plástico Caio Borges explora com maestria em suas obras, poderão ser vistas a partir de hoje, no Escritório de Arte Beatriz Telles, na capital. A mostra integra o projeto Vitrine dos Artistas - iniciativa que busca valorizar e divulgar os mais talentosos artistas plásticos brasileiros.
Contemplar a obra de Caio Borges é um privilégio. Especialmente nessa exposição formada por 20 telas de porte médio e grande-chão fértil para a produção criativa do artista. Elaborado em acrílico sobre tela, os quadros deste catarinense combinam as cores quentes e as formas arredondadas. É daí que vão surgindo suas mulheres, que, apesar de estar sempre às voltas com os trabalhos domésticos, revelam uma imensa sensualidade.
Caio é figurativo e gosta de questionar os espectadores sobre as angústias contemporâneas com suas peças multicoloridas e carregadas de sentimentos. Sem preocupação anatômica, o artista mostra que o erotismo não está apenas num corpo delgado, como podem supor alguns.
Ao contrário, ao representar as mulheres gordinhas ele mostra a capacidade da alma feminina, sua riqueza e variação de sentimentos.
A produção artística de Caio Borges, que atua a 27 anos neste desafiador mercado da arte, produz uma atmosfera capaz de confundir o estado onírico com a realidade.
Jaqueline Iesen- DC- 8 de março de 2007
Um artista completo
Caio Borges, o Içarense de traços marcantes e obras únicas, revela sua arte em entrevista exclusiva.
O artista plástico Caio Borges ocupa uma posição de protagonista no cenário artístico nacional, conquistada sem fazer parte de grupos ou de movimentos teóricos como os que se sucederam ao longo de algumas décadas e eclodiram as linhas de pensamento artístico que batizaram a produção de arte no Brasil. Nascido em Içara foi para Florianópolis aos 12 anos e aos 20 mudou-se para o Rio de janeiro, onde assumiu a profissão de artista plástico, “foi a convivência com vários artistas que me fez despertar para a pintura, pois quando eu cheguei lá eu trabalhava com cerâmica”, confessa Caio.
Seu encontro com a arte aconteceu muito cedo, entre cinco e seis anos, suas incursões pelo mundo da cor eram diárias. Até 19 anos trabalhava com desenho arquitetônico, mas a repetição da técnica não o estimulou a tornar-se um arquiteto. Visitar seu atelier, no alto de uma colina no centro histórico de São José é privilégio de amigos conquistados através de sua simplicidade e o gosto pela vida social zero, “não gosto de aparecer, o trabalho que aparece, não necessito que me conheçam, sou bicho do mato assumido”, justifica o artista ao ser questionado sobre sua vida reclusa.
As grandes dimensões da obras estão diretamente relacionadas com seu tamanho. “Veja o tamanho da minha mão e do meu braço”. Na confrontação desses, vê-se o gosto por soltar os braços e a obra surgir definindo seu gosto por composições cheias e detalhadas. Na opinião do artista a criação das formas é importante porque é essa que irá definir seu trabalho, e se não houver isso o artista vai passar a vida trabalhando e ninguém saberá quem é. Caio disse ainda que se dependesse dele o processo de criação teria mais informação, não que o trabalho limpo não tenha conteúdo, mas ao limpar muito se eliminam traços da escola que o aluno admira. “Hoje as galerias estão direcionadas à decoração e ao consumo que ao decorativo, poucos e raros são os colecionadores, então nós artistas, temos que conciliar o conteúdo ao decorativo solicitado pelas galerias”.
A figura humana é constante em seu trabalho e cenas cotidianas fazem parte da sua obra, “nada complicado, são imagens que em algum momento da minha vida ficaram marcadas na memória e aí ficam à espera da forma a ser colocada na tela”.
Suas obras estão expostas em galerias do Rio, São Paulo e Curitiba. Mas a sua maior satisfação é saber que seu nome tem peso na arte catarinense e em especial Criciúma, “cidade que gosta da minha arte, e é bom saber que por aí estão muitas das minhas obras”, completa Caio.
A superintendente da Fundação Cultural de Criciúma (FCC), Sema Fenille, conhece bem o trabalho do artista. “Caio tem personalidade, seu trabalho revela algo mais, tem sua própria marca”, destaca Selma.
Margaret Waterkemper- JM- 6 de junho de 2006
“Para comemorar os 26 anos de seu Escritório de Artes, Beatriz Telles Ferreira mostra mais uma edição do seu já consagrado projeto, Vitrine do Artista, do qual até o final do ano participam três artistas plásticos. O primeiro a expor é o catarinense Caio Borges, em março, seguido por Cristiane Rios, em junho e Vilmar Lopes, no mês de agosto. Fazendo arte há 27 anos, Caio exibe formas arredondadas, que lembram as do colombiano Fernando Botero, mas são tropicais, bem brasileiras, com cores quentes e pintadas em acrílico sobre tela. Vinte quadros de porte médio e grande, que retratam casais namorando, se acarinhando e se entregando com muita paixão, e as esculturas em terracota de figuras humanas em diferentes tons compõem a exposição Parceria de Peso.”
“Os desenhos arredondados há muito tempo acompanham a trajetória do artista Caio Borges. Suas telas com ênfase na cor chamaram a atenção na mostra Casa Nova 2006, no espaço vaidade masculina, em Florianópolis. Os tamanhos generosos das telas foram transportados para as esculturas em terracota, uma novidade do artista que tem se destacado nas lojas de decoração.
A inspiração para desenhar tudo em grandes dimensões vem da própria casa. ‘Minha mulher é gordinha’, diz referindo-se carinhosamente a companheira. As esculturas desenvolvidas há seis meses são feitas em forma para produção em série, de no máximo 30 peças. Todos os detalhes das roupas e assessórios são aplicados individualmente por Borges, que estudou cerâmica no Ateliê barroco-Oco, no Rio de Janeiro. ‘A base do meu trabalho e a escultura em bronze, resina e concreto’, diz.
Casais, pescadores, frades são alguns dos personagens esculpidos em barro que recebem acabamento patinado, por isso o efeito esbranquiçado sobre a terracota. As peças podem ser usadas no interior e na área externa, com o cuidado de fazer a manutenção com a cera incolor para piso.
O volume exagerado e ao mesmo tempo harmonioso caracteriza as obras do artista, que valoriza o traço em cada tela. Cor e grafismos são elementos fortes em seu trabalho. ‘Gosto de elementos para estampar, de dimensões grandes, do braço exagerado. É o meu tamanho’ afirma, contando que a filha pediu para ele pintá-la, mas reclamou porque ficou gorda.”
Casa nova- DC
Florianópolis, às 19 horas de hoje, marchande-de-tableaux Iva Gandra promove coquetel de abertura da exposição Coletiva verão 2000, em sua galeria de Arte na Altamiro Guimarães. Os artistas convidados são Ciro França, Caio Borges, E. Di Bernardis, F. Calderari, Janete Mehel, Luis C. Albertine, Mara Toledo, Paulo Marinho, Paulo Assis, Semy Braga, Vera Sabino e Zelio Andrezzo. A visitação vai até o próximo dia 12, de segunda a sábado, das 10 às 22 horas.”
A Noticia- Moacir Benvenutti- 02 de fevereiro de 2000
“Iva Gandara selecionou grandes nomes das artes plásticas nacional e internacional para a estréia e sua galeria de artes em Florianópolis. Caio Borges e Vera Sabino são dois dos catarinenses que aparecem com seus quadros na exposição permanente.”
Cacau Menezes- DC- dezembro /99
“Agora é real. A antiga aspiração aos artistas plásticos de São José tomou corpo e enfim se concretizou. Será lançada oficialmente hoje à noite a Pro Cult (Associação Pro Cultura de São José, que reúne mais de 50 artistas dos vários segmentos). A largada do movimento acontece através de uma mostra de artes, exibindo trabalho de pelo menos, metade dos seus integrantes. Ali estarão pinturas, esculturas e outros objetos artísticos, mostrando a diversidade do grupo. O artista tem que passar pelos vários materiais, defende Silvio Pléticos, que levará a mostrar quadros e peças esculpidas... As obras de Caio Borges também fazem parte da Pro Cult de São Jose...”
Variedades- DC- 15 de dezembro de 1997
“Três artistas plásticos, três histórias e três trajetórias diferentes, Silvio Pléticos, Vera Sabino e Caio Borges, têm agora mais um ponto em comum, além da pintura e do fato de morarem em Santa Catarina. A partir da próxima quarta-feira seus trabalhos vão estar na exposição A Arte Catarinense, promovida por Helena Fretta, Escritório de Arte. Sem dúvida três expoentes das artes plásticas do estado que poderiam freqüentar galerias do qualquer parte do mundo.
Silvio Pléticos é bem conhecido pelos apreciadores das artes por sua inegável e inigualável força pictória. Tenho referência do fauvismo, do cubismo, do surrealismo, mas minha formação e figurativa... Nasceu em 1924 na Iugoslávia e ao 25 anos já estudava pintura, em Milão, com Alfonso Guglielmi. Depois de participar da Segunda Guerra como soldado ilustrador, formou-se em professor de desenho em 1954, na Croácia. Mudou-se par o Brasil em 1967, atuando como professor. Atualmente dedica-se exclusivamente a pintura, tendo exposto por diversas cidades do mundo inteiro e principais capitais brasileiras.
Vera Sabino é conhecida pelas figuras mágicas que povoam o seu trabalho. São mulheres oníricas, coloridas, em meio a elementos retirados da sua observação da natureza. O vermelho, o azul, o amarelo, são literalmente a base para os seres fantásticos da ilha de Santa Catarina, que também habitam as suas telas...
Caio Borges e outro artista plástico reconhecido, explorando a sensualidade feminina e a plasticidade de naturezas mortas e peixes nos seus quadros. Essa combinação entre a figura humana e os elementos das naturezas mortas e peixes nos seus quadros. Esta combinação entre figura humana e elementos da natureza produz uma atmosfera que confunde o estado onírico com a realidade presente. Em suas telas a combinação de volumes e texturas busca incessantemente a sensualidade. Caio Borges nasceu em Içara, em 1958, e com 20 anos já se entregava inteiramente às tintas e pincéis. Ele também trabalha com escultura e cerâmica, mas são os seus quadros que podem ser vistos na Helena Fretta Escritório de Arte...”
Cultura- O Estado- 8 de dezembro de 1991
“Helena Fretta inaugura hoje às 20 horas, a exposição A Arte Catarinense, com obras dos mais conceituados artistas de Santa Catarina, Pléticos, Vera Sabino e Caio Borges.”
Maristela. Amorim- DC- 11 de setembro de 1991
“Helena Fretta hoje recebe convidados para a inauguração do seu Escritório de Artes, na Avenida Rubens de Arruda Ramos. A mostra será com os artistas plásticos Pléticos, Vera Sabino e Caio Borges.”
O Estado- outubro/91
“... Curto a forma, o volume. Eu gosto de mulher cheinha. Acho que Renoir foi feliz, diz Borges. Atualmente o artista percorre outros temas retratando pássaros e peixes que, entretanto, ainda estão em sigilo.”
Diário Catarinense- novembro/91
“...Com uma temática voltada principalmente para a versão romântica do corpo feminino, os trabalhos de Caio Borges mostram nus invariavelmente observados em posição de descanso, lânguidos e informais. São mulheres preguiçosas e conscientes de sua beleza, de sua condição de objeto artístico.
Considerado como uma das mais promissoras revelações das artes plásticas catarinenses nos últimos anos, Caio aposta no valor sensitivo de sua obra e na capacidade de transmitir sensações e emoções, desatrelado de um discurso pré-programado. ‘Não gosto de cobranças. Eu quero ficar solto. Uma obra de arte não tem explicação, eu não explico, eu faço.’ declara o artista que considera os nus femininos uma necessidade e uma curtição de forma e volume.
Atualmente, Caio busca inovações temáticas, retratando a voluptuosidade de pássaros e peixes. Essa inovação em seu trabalho é também influência direta de uma vida tranqüila e pacífica junto à natureza, que ele buscou depois de passar junto aos grandes centros.”
Diário Catarinense- dezembro/89
“Caio Borges que parece estar sempre de encontro marcado com a paixão, como classificou a jornalista Liliana Reales, expõe ate sábado na Studio Artes, 30 quadros que se comunicam de forma clara com o espectador.
As telas de Borges não são somente um enorme prazer. Ele com uma linguagem econômica, despreocupada com demasiadas normas anatômicas, trabalha a superfície com texturas e relevos. Criando também um clima de contemplativa serenidade. A formação em escultura e cerâmica lhe da condição para isto. O artista freqüentou os cursos destas técnicas no Atelier-Escola Marli Faro, no Rio de Janeiro... Rendas, pombos, frutas, flores, clima do passado no presente são recursos que o artista plástico utiliza para apresentar a mulher como tema inesgotável. A figura feminina e sinuosa, insinuante e envolvente, em meio a cores sempre com a mesma intensidade.
A primeira individual do artista foi realizada em 1980, seguida de mais três, todas no Rio de janeiro. Atualmente suas obras integram o acervo de galerias no Rio e Florianópolis... O artista pode ser definido como um jovem persistente, sendo o critico primeiro de sua obra, que no presente mostra a liberdade no estático descanso, conforto e preguiça.”
Variedades- A Noticia- dezembro/89
“... Nesta mostra o artista apresenta 30 telas com envolvente sensualidade que compõe uma suave reconciliação com o mundo dos sentidos, do prazer bucólico e da beleza. A mulher, sob a ótica de um imaginário apaixonado e insaciável na tentativa de sua recriação a imagem e semelhança dos desejos masculinos, revela-se nas telas de Caio, com inquietante perfil de uma intimidade ainda não totalmente devassada nos acrílicos sobre tela do artista. Sem preocupações anatômicas, Caio Borges trabalha a figura feminina num cenário de texturas e relevos delicados, com cores, insinuantes conseguindo uma composição inegavelmente madura e harmoniosa.”
Cultura- Jornal de Santa Catarina- dezembro/89
“... Caio se comunica de forma rápida e clara com o espectador, a quem atrai e conquista com a revelação de um mundo de cores, calores, perfumes e muita paz.”
Roteiro Arte- Diário Catarinense- dezembro/89
“O trabalho de Caio, em sua atual fase, e bastante primoroso, cheio de perfeições e desenha com exotismo as mulheres. Muitas mulheres. Embora Caio seja considerado um galã entre os artistas plásticos catarinenses, não consegui saber qual sua musa inspiradora. O trabalho dele e muito bom. Verdade.”
Zury Machado- O Estado- dezembro/89
“... Borges retrata a figura humana, ambientando-os em cenários especiais. Com uma carreira artística que cresce a cada nova mostra, o pintor apresenta um apurado senso ético, plasticidade e uma identidade que se mantêm desde o começo...”
Beto Stodieck -O Estado- dezembro/89
“... Caio Borges surpreende com o trabalho que retoma o prazer como forma inesgotável de inspiração e criação. Trinta telas que exploram exaustivamente um delicado erotismo na eterna figura feminina-idealizada estão em exposição a partir de hoje até o dia 9 de dezembro na galeria Studio de Artes...
... Nesta sua primeira mostra individual de pinturas em Florianópolis, Caio revela-se um artista despreocupado das propostas de vanguarda preferindo transitar pelo caminho do figurativismo dedicando especial cuidado a composição e ao tratamento da cor. Mas são as texturas e relevos aliados à devassa da feminilidade desde a ótica de um imaginário masculino de imenso erotismo os elementos que tornam as telas de Caio Borges fortemente comunicativas e insinuantes.”
Cultura- O Estado- 30 de novembro de 1989